“Minha terra tem palmeiras…”, se refere professor e empresário a Areia

Um olhar no tempo me remete à frase do Poeta Gonçalves Dias, em sua “Canção do Exílio”, na qual, em tom lírico, retrata as particularidades de sua terra. Pois, bem, há terras onde nascemos e há terras que adotamos, ou que nos adotam!

Areia é um desses lugares onde não sei como surgiu o amor primeiro. Sempre ouvi falar desta terra, desde criança, quando meu avô contava histórias ao anoitecer e, muitas vezes, narrava suas viagens de mula ao “Brejo de Areia” para comprar rapaduras. Mal podia eu imaginar onde seria essa terra longínqua, pois, em Salgado de São Felix nunca conheci ninguém que com esta cidade tivesse vínculos.

No fluxo da vida, me aconteceu de ir estudar na Escola Agrícola Vidal de Negreiros, em Bananeiras, cidade que encantou o jovem de então, pelo seu clima, pelas suas características naturais em geral, pois, a bem da verdade eu nunca tinha visto tanto verde nas paisagens de um lugar, já que minha terra só era verde alguns meses do ano… Durante minha estada em Bananeiras, tive a oportunidade de vir a Areia duas vezes: a primeira delas foi à noite e não me despertou nenhum sentimento maior, pois só guardei a imagem de um auditório e de uma igreja alta situada numa praça.

No verão de 1983 resolvi vir conhecer Areia, pois eu já estava decidido a fazer vestibular para Agronomia. Saí da bela cidade de Bananeiras e vim em direção a Areia, sem ter a mínima noção que aqui sofreria uma espécie de abdução por este lugar e que ficaria o resto dos meus dias. Lembro-me perfeitamente a imagem que vi quando dobrei a curva da estrada e surgiu a primeira visão da entrada da “Escola de Agronomia”: palmeiras enormes tão belas quanto as de Bananeiras, que eu julgava serem únicas. Areia de todos os encantos: das árvores, do casario, dos vales, da história, do verde, das palmeiras e do canto fascinante das cigarras, que naquele verão marcou minha memória para sempre.

Na condição de estudante, vivi em Areia quatro anos. Aqui fiz amigos e dei raízes a minha vida de professor, pois durante esses anos dei aulas no Colégio Estadual Ministro José Américo de Almeida, casa esta a quem sou muito grato e de onde guardo excelentes lembranças.

Concluído o Curso de Agronomia, minha grande paixão, fui aprovado em um concurso da Embrapa e passei a trabalhar na cidade de Patos. Tudo era novo, mas Areia não me saía da cabeça. Seu verde era único, sua brisa não havia igual e onde poderiam existir palmeiras tão belas, que serviam de palco a cigarras estridentes que me encantavam? Tudo isso me acompanhou por meses…

No início de 1990 surgiu no CCA/UFPB um concurso para professor de Recursos Naturais Renováveis… Fiquei fascinado com a possibilidade de voltar a esta terra. Estudei diuturnamente e no dia 18 de maio de 1990 fui nomeado pela reitoria da UFPB professor Auxiliar do Campus III, em Areia. Hoje vejo que voltei a esta terra, numa Data muito Especial: o aniversario da cidade!  Portanto, quase três décadas já se passaram e mantenho firme a minha convicção quanto ao mérito e o valor das escolhas que fiz.

Em Areia estabeleci residência e constitui família. Aqui meus filhos estudaram durante toda a infância, até buscarem seus novos caminhos.

Naturalmente, eu não poderia deixar de ser grato com esta terra que me encantou e me acolheu. Aqui permaneço e é em Areia que me sinto em casa! Na condição de profissional e empreendedor me sinto feliz, integrado e satisfeito por estar gerando empregos na terra que escolhi para viver.  As circunstâncias e as minhas inquietudes me levaram para além das fronteiras acadêmicas e das rotinas de ser professor e pesquisador. Areia me permitiu experimentar o empreendedorismo, que é arte de modificar para melhor o meio em que se vive. Tenho procurado seguir essa máxima e a certeza que podemos melhorar a vida das pessoas e da comunidade em que vivemos, direcionando nossas energias para a geração de trabalho e renda!

Sou grato a todas as pessoas que direta ou indiretamente contribuíram para a consolidação dessa história de amor, paixão e fascínio pela terra que me adotou. E, como não poderia deixar de ser, também na data de 18 de maio (de 2005), fui oficialmente aclamado “Cidadão Areiense”, selando assim esse pacto de gratidão, amor e dedicação a esta terra, seja como professor, seja como empresário e principalmente como filho que assim me tornei.

Neste momento, quando me pediram para escrever um pouco sobre a minha trajetória nesta cidade e porque resolvi investir aqui, eu não poderia ter outro sentimento que não fosse o de gratidão pela cidade, pelas pessoas e pela vida que aqui construí.

Olho agora pela janela e posso contemplar o mesmo verde de 34 anos atrás, aquelas palmeiras que me encantaram, os vales e as cigarras… Ah, as cigarras que pareciam cantar me dando boas vindas em 1983… Elas estão ali, de igual maneira, construindo os ciclos de suas vidas!