História

Areia (Paraíba)

Areia é um município brasileiro do estado da Paraíba, localizado na microrregião do Brejo Paraibano. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no ano de 2016 sua população era estimada em 22.940 habitantes. A área territorial é de 269,424 km².

Com muitas riquezas naturais, situada em local elevado, Areia, no inverno, é coberta por uma leve neblina, e suas terras possuem diversas fontes e balneários aquáticos.

É também muito conhecida por suas riquezas culturais, particularmente o Museu de Pedro Américo, com inúmeras réplicas dos quadros do mais célebre cidadão areiense – entre elas a famosa obra: “O Grito do Ipiranga”, encomendada a ele por Dom Pedro II, e o Museu da Rapadura, localizado dentro do Campus da UFPB na cidade, onde o turista pode observar as várias etapas da fabricação dessa iguaria e dos outros derivados da cana-de-açúcar, como a cachaça. A cachaça areiense é muito conhecida exteriormente por seu incomparável sabor. Areia foi considerada por muito tempo como “Terra da Cultura” tendo seu teatro – o “Theatro Minerva” – sido edificado 30 anos antes que o da capital do Estado da Paraíba. Para aquela cidade hospitaleira, de invernos rigorosos, convergiam estudantes de toda a região, sendo expoentes deste tempo a Escola de Agronomia do Nordeste, o Colégio Santa Rita (Irmãs Franciscanas, alemães) e o Colégio Estadual de Areia (antigo Ginásio Coelho Lisboa). Seus filhos se destacavam em todos os concursos de que participavam. Carminha Sousa e Laura Gouveia eram reconhecidas pela capacidade de educar e formar pessoas na língua portuguesa.

História

Em 1648, a expedição em busca de recursos minerais de Elias Herckmans, então governador holandês da Paraíba, percorreu a mando de João Maurício de Nassau a região onde hoje se assenta a cidade de Areia sem entretanto nada encontrar. Pouco mais tarde, em meados do século XVII, desbravadores portugueses percorreram a região, tendo um deles, de nome Pedro Bruxaxá, se fixado no local à margem do cruzamento de estradas que eram caminho obrigatório de boiadeiros e comboieiros dos sertões com destino à cidade deMamanguape e à Capital. Dada a amizade que fez com os nativos, ali construiu um curral e uma hospedaria conhecida como “Pouso do Bruxaxá”. A região foi por muitos anos denominados “Sertão de Bruxaxá”.

Com o tempo, entretanto, devido a um riacho que possuía bancos de areia muito brancas, o povoado passou a ser chamado de Brejo d’Areia, já que o lugarejo fica na Microrregião do Brejo Paraibano, região da Paraíba não muito longe do litoral, que recebe os úmidos ventos alísios vindos do Atlântico e possui uma cobertura vegetal de floresta atlântica, hoje em dia reduzida a manchas. Por isso, também chamada de Zona da Mata.

O povoado começou o processo para ser elevado à categoria de vila em 1815, sendo concluído em 30 de agosto de 1818 e, em 18 de maio de 1846, tornou-se cidade.

Com o desenvolvimento da lavoura canavieira na Região do Brejo, no século XIX, a cidade de Areia tornou-se o maior município da região, mas tal proeminência econômica começou desde o século anterior, XVIII, com a precedente lavoura do algodão. A campanha abolicionista no município teve a liderança de Manoel da Silva e Rodolfo Pires, e a cidade libertou o último escravo, em 22 de abril de 1888, pouco antes da Abolição da Escravatura em todo o país, no dia 3 de maio de 1888.

Areia participou ativamente das Revoluções do século XIX, tais como a Revolução Pernambucana, em 1817, a Confederação do Equador, em 1824 e a revolta do Quebra-Quilos, em 1873.

Areia foi a principal civilização do Alto Brejo paraibano durante o século XIX, final do século XVIII e início do século XX a tal ponto de ter tido o primeiro teatro do estado (o primeiro cinema foi em Rio Tinto), a primeira faculdade, etc. Isso atesta um padrão interessante na história da Paraíba, onde antes o desenvolvimento se concentrava no interior e só depois atingiu a capital. Não se sabe no entanto as causas destas civilizações pioneiras e grandiosas no passado terem ficado para trás no decorrer do século XX por exemplo num processo de estagnação, mesmo com tantas belezas naturais e clima bastante superior ao da baixada litorânea, por exemplo (e muito mais propício a civilização portanto).

Prefeitos

+

Prefeitos

• 1895-1899 José Elias D’Ávila Lins

 

• 1896-1899 Coronel José Cabral de Vasconcelos Filho

• 1899-1900 Major Remígio D’Ávila Lins

• 1904-1908 Doutor Otacílio de Albuquerque

• 1912-1915 Alfredo Simeão Leal

• 1915-1921 Tenente Juvenal Espínola de França

• 1921-1927 José Antônio Maria da Cunha Lima Filho

• 1927-1929 Tenente Juvenal Espínola de França

• 1929-1935 Jaime de Almeida

• 1935-1935 Doutor Arnaldo Clementino Moraes Galvão

• 1935-1940 Leônidas Santiago

• 1940-1942 Doutor Germano de Freitas

• 1942-1943 Doutor Antonio Farias Junior

• 1944 Reinaldo de Oliveira (Interino)

• 1945 Juvenal Espínola Filho

• 1945-1946 Professor Pedro Américo Perazzo

• 1946-1947 Pedro da Cunha Lima

• 1947 Doutor José Correia Lima

• 1948-1951 José Antônio Maria da Cunha Lima Filho

• 1951-1953 Nabuco de Assis

• 1953-1955 Armando de Freitas

• 1954-1955 Nilo D’Ávila Lins (Interino)

• 1955 Severino Sérgio (Interino)

• 1955-1959 Manoel de Azevêdo Maia

• 1959-1963 Nilo D’Ávila Lins

• 1963-1969 Elson da Cunha Lima

• 1969-1973 Abel Barbosa da Silva

• 1973-1977 Elson da Cunha Lima

• 1977-1983 Lívio de Azevêdo Maia

• 1983-1988 Sebastião Tião Gomes Pereira

• 1989-1992 Ademar Paulino de Lima

• 1993-1996 Antônio Carlos Queiroz Teixeira de Barros

• 1997-2000 Ádria Perazzo Gomes

• 2001-2004 Ademar Paulino de Lima

• 2005-2008 Elson da Cunha Lima Filho

• 2009-2012 Elson da Cunha Lima Filho

 

• 2013-2016 Paulo Gomes Pereira

• 2017-2020 João Francisco Batista de Albuquerque


Principais datas

• 18 de maio – Aniversário de Emancipação Política

• No mês de Julho a cidade vive o roteiro Caminhos do Frio Rota Cultural

• 8 de dezembro – Festa da Padroeira Nossa Senhora da Conceição


Filhos ilustres

Os personagens históricos mais conhecidos de Areia são o pintor Pedro Américo (pintor do Segundo Império), José Américo de Almeida (ex-governador da Paraíba, escritor e importante político nacional), Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques (primeiro arcebispo da Paraíba), Abdon Felinto Milanês (músico erudito), Abdon Milanês (político da Primeira República e pai do compositor), além de Elpídio de Almeida (médico e ex-prefeito da cidade de Campina Grande), Álvaro Machado (fundador do Jornal A União), entre outros.

• Marcelo Soares da Silva (Dedé)

• Abdon Felinto Milanês

• Abdon Milanês (político)

• Adauto Aurélio de Miranda Henriques

• Ademar Paulino de Lima

• Aurélio de Figueiredo

• Domício Gondim Barreto

• Elpídio Josué de Almeida

• José Américo de Almeida

• Pedro Américo

• Plínio Lemos

• Trajano Alípio de Holanda Chacon Cavalcanti de Albuquerque

• Valfredo Soares dos Santos Leal


Curiosidades

• Foi a segunda cidade do Brasil a decretar a abolição da escravatura, antes mesmo da lei ser assinada pela Princesa Isabel.

• Foi a primeira cidade da Paraíba a usar o jornal impresso.

• Concorreu a capital da cultura 2009

• Possui 117 engenhos.

• Primeiro Teatro da Paraíba – Teatro Minerva (anteriormente chamado de Recreio Dramático)

• Possui uma Banda Filarmônica Centenária (um ano a menos que a cidade)

• A Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Areia é a paróquia mais antiga da Diocese de Guarabira criada em 29 de Junho de 1813.

• O grupo de tradições Folclóricas “Moenda” é um dos mais antigos grupos culturais da cidades, criado em 1979, com destaques nacionais e internacionais ainda ativo na cidade.

• Destaca-se em Areia o Grupo Cênico Recreio Dramático, grupo que já apresentou e ganhou prêmios por toda Paraíba.

• Elson da Cunha Lima Filho foi o primeiro prefeito reeleito da história de Areia.

• A Rádio Comunitária Areia FM foi a primeira emissora comunitária da Paraíba a ter o seu projeto de lei encaminhado ao Congresso Nacional, pelo então Presidente Fernando Henrique Cardoso. A rádio pertence à Associação Artística e Cultural de Areia, criada em 14.05.1997.

Se aprofunde mais

+

AREIA PATRIMÔNIO HISTÓRICO DO BRASIL

 

 

 

ASPECTOS HISTORICO-CULTURAIS

 

ORIGENS – As terras que constituem o município de Areia foram primitivamente habitadas por indígenas pertencentes à tribo Bruxaxá, um ramo da grande nação Cariri. A primeira exploração do território aconteceu no ano de 1625, quando o português Manoel Rodrigues, adentrou aqueles sítios, voltando para Mamanguape impressionado com a amenidade do clima, a fertilidade do solo e disposto a colonizar a promissora zona do Brejo. O desejo foi impossibilitado pela invasão holandesa.

Em 1648, a mando de Maurício de Nassau, a expedição de Elias Herckman, governador holandês da Paraíba, em busca de recursos minerais, percorreu e ultrapassou o território de Areia sem nada encontrar. Mas em meados do século XVII, desbravadores portugueses percorreram a região e um deles, de nome Pedro, se fixou no local à margem do cruzamento de estradas que eram caminho obrigatório de boiadeiros e comboieiros dos sertões, com destino a Mamanguape e à Capital.

Ali ele construiu um curral e uma hospedaria conhecida como “Pouso do Bruxaxá”. Com o passar dos anos, a região seria denominada “Sertão de Bruxaxá”.

O movimento de viajantes pelo local atraiu habitantes e logo surgiu uma povoação que recebeu o nome de Brejo do Riacho de Areia, devido a um córrego com areia branca que abrejaria suas margens, constituídas de uma vasta riqueza. O nome foi logo abreviado para Brejo de Areia e, posteriormente, apenas Areia.

A primeira sesmaria do Sertão do Bruxaxá estima ser a que foi concedida a João Morais Valcácer em 1672, no lugar denominado Jardim. Outros seguiram o exemplo e, no decorrer dos anos, as sesmarias foram divididas em centenas de propriedades, desbravando as terras inicialmente cobertas de matas virgens. Surgiram várias culturas – algodão, fumo, mandioca, cereais, etc.

O pequeno núcleo de povoamento expandiu-se e mais para o fim do século XVIII a agricultura e o comércio prosperavam, novas famílias provenientes da Capital e de Pernambuco ali se estabeleciam, atraídas pela prodigalidade da terra. O escoamento dos produtos tornou-se mais fácil com a melhoria das vias de comunicação.

 

FORMAÇÃO ADMINISTRATIVA, RELIGIOSA E JUDICIÁRIA – Areia passou longos anos sob a jurisdição eclesiástica e administrativa de Mamanguape.

Uma vez ao mês, o vigário de Mamanguape ia celebrar a missa em Areia numa capela que existia antes de 1800, em terreno doado por Bartolomeu da Costa Pereira. Não obstante, essa assistência espiritual esporádica era suficiente para o povoado que oferecia já condições de ser provido a paróquia. A Freguesia foi criada por Provisão Régia de 29 de junho de 1813, sob o patrocínio de Nossa Senhora da Conceição, desmembrando-se o seu território da Freguesia de Mamanguape.

Dois anos depois, em 1815, erigiu-se em Vila, cuja instalação só concretizou-se em 30 de agosto de 1818, sendo Presidente da Província Antonio Caetano Pereira. Recebeu o nome de Vila Real do Brejo de Areia e Bartolomeu da Costa Pereira foi nomeado o seu primeiro Capitão-Mor. Era a oitava vila que se criava na Paraíba.

Areia é sede de Comarca desde que, por volta de 1831/33, a Província foi dividida em três comarcas, cabendo-lhe a segundo que compreendia os termos de Campina Grande, Bananeiras e São João do Cariri.

Pelos idos de 1845, o segundo colégio eleitoral da Paraíba era o de Areia.

A Lei Provincial n° 2, de 18 de maio de 1846, elevou a sede municipal à categoria de cidade, sob o topônimo de Areia, que passou a designar também o Município. É a primeira em cronologia em toda a Província (excetuando-se a Capital que já nasceu cidade).

 

AREIA E OS MOVIMENTOS REVOLUCIONÁRIOS – Devido ao idealismo e coragem de seus filhos, Areia iria participar, em diversas ocasiões, das campanhas libertárias e outras rebeliões que abalariam o País e de modo especial, o Nordeste Brasileiro.

 

REVOLUÇÃO DE 1817 – Os reflexos da revolução pernambucana de 1817 se fizeram sentir de maneira marcante na Paraíba que prestou esplêndida colaboração à causa. Areia não teria participação de muita importância neste movimento tendo permanecido fiel ao governo, prestando-lhe inclusive auxílio financeiro dada a generosidade de alguns de seus moradores. Todavia, houve insurgentes que abraçaram a causa republicana chefiados por Antonio José Fernandes Nobre. Os revolucionários preparavam o levante no Brejo de Areia quando um governo foi ali constituído para restabelecer a ordem, composto de Sebastião Nobre de Almeida, Julião Leocádio de Lima, Frei João de Santa Teresa e um aventureiro chamado Antonio José Gomes Loureiro.

Com grande aparato, dali partiu uma escolta conduzindo em triunfo para a Capital, os insurgentes presos na região. Além do chefe, Antonio José F. Nobre, e outro areiense Manoel Coelho Serrão Mello e Albuquerque, estavam entre os presos Francisco de Santa Mariana, Leonardo de Vila Nova da Rainha e o Coronel de Milícias de A. Maranhão.

 

EM DEFESA DA CONSTITUIÇÃO JURADA – Novo movimento sedicioso surge na Paraíba, agora contra a Constituição Portuguesa jurada por D. João VI e proclamada pelo governo da Capitania a 17 de abril de 1821. Os amotinados, alcunhados de “Carambolas”, após dominarem algumas localidades paraibanas tentam dominar a Vila Real do Brejo de Areia, sendo derrotados a 28 de fevereiro de 1822, em combate com o destacamento de linha que o governo da capitania para lá enviara. O chefe da Insurreição em Areia foi Antonio José da Silva.

 

CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR – Maior contribuição prestou Areia ao movimento de sentido nitidamente nacionalista e republicano, nascido em Pernambuco em 1824 e que teve grande repercussão nas províncias nordestinas – a “CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR”. Os liberais areienses não perdem a flama patriótica e a exemplo dos pernambucanos de Paes de Andrade, rebelam-se contra o governo de Felipe Nery nomeado por D. Pedro I. Mesmo antes da posse deste, o Senado da Câmara de Areia havia protestado contra a dissolução da Constituinte classificando de arbitrário o ato do Imperador. Nega-se a receber ordens do novo governador e a cinco de maio, povo e tropa reunidos no passo da Câmara, aclamam um Governo Provisório para o qual é eleito Presidente o Sargento-Mor Félix Antonio Ferreira de Albuquerque. Tal atitude teve a solidariedade das Câmaras da Vila de Pilar, Mamanguape, Campina Grande e São João do Cariri.

Os patriotas areienses, desprezando qualquer proposta de acordo, marcham contra as tropas governamentais travando vários combates. Afinal as enérgicas providências imperiais sufocam a rebelião de 1824. Os revolucionários são presos pondo fim à efêmera República da Confederação do Equador.

 

REBELIÃO PRAIEIRA – A queda do Gabinete Liberal, em 1848, provocou em Pernambuco uma luta armada que teve início em Recife e terminou na Paraíba, em Areia. Essa rebelião, que recebeu o nome de “Praieira” por causa de um clube que os conspiradores mantinham na Rua da Prai, foi prontamente sufocada em Pernambuco logo no início de 1849. Batendo em retirada os rebeldes praieiros dividiram-se em duas colunas – uma delas toma o rumo de Alagoas e a outra, mais numerosa, marcha sobre a Paraíba depois de atravessar Igarassu, Goiana e Itambé perseguida pelas tropas do tenente-coronel Feliciano Falcão.

Desistindo do seu intento de entrar na capitania paraibana, os rebeldes escolheram Areia como centro de suas operações bélicas, não apenas por ser a localidade que oferecia melhores condições estratégicas, devido a sua posição topográfica, como também pelos expressivos valores humanos que lá contava o partido liberal.

De fato os liberais de Areia, movidos pelo idealismo e solidariedade partidária acolheram-nos fraternalmente. Figuras que gozavam do mais alto conceito local sacrificaram suas posições e recursos em prol de uma causa praticamente perdida. Entre outros se destacaram os nomes do Dr. Maximiano Lopes Machado, juiz, delegado de polícia e ao mesmo tempo deputado provincial, o tenente-coronel Joaquim José dos Santos Leal, político influente e comandante superior da Guarda Nacional, o major Joaquim Gomes da Silva, subcomandante da referida corporação militar, o tenente-coronel Antonio José de Lima, coletor das rendas gerais do município, Luis Vicente de Borges, advogado, homem rico, ex-deputado em mais de uma legislatura e o Pe. José Genuíno de Holanda Chacon, coadjutor da freguesia.

Entrincheirados na cidade prepararam a resistência. No dia 21 de fevereiro de 1849 travou-se a última batalha da “Revolução Praieira” em solo areiense. Após várias horas de combate contra as tropas imperiais os insurretos praieiros são afinal derrotados, encerrando um dos mais dramáticos episódios de nossa história.

Medidas de represália foram tomadas pelo comandante das forças legais, Feliciano Falcão, e muitas arbitrariedades foram cometidas em Areia. Todavia, quase todos os areienses envolvidos na malograda conspiração conseguiram escapar.

Restabelecida a ordem, todas as autoridades de Areia foram substituídas.

 

REBELIÃO DOS QUEBRA-QUILOS – Em 1874 o Município de Areia passaria a integrar a revolta de Quebra-Quilos, que teve início no povoado de Fagundes, comarca de Campina Grande, alastrando-se rapidamente por nove municípios paraibanos. O movimento foi capitaneado por feirantes e comerciantes e, segundo Irineu Joflily, a causa principal da rebelião foi o aumento dos impostos, cobrados pela Assembléia Provincial da Paraíba, por ordem do Governo Imperial. Outros acrescentam que a revolta se deu em função da população ignorante ser contrária à adição do sistema métrico decimal para a medida/pesagem dos produtos comercializados, o que originou o nome dado ao movimento. Há quem diga ainda que o protesto teve como motivo a exigência do alistamento militar compulsório. O fato é que a frente dos Quebra-Quilos avolumou-se de tal maneira que a Paraíba toda tremeu de susto e o Governo Imperial teve de intervir enviando tropas para abafar o movimento. Areia foi tomada pelos sediciosos, onde as autoridades, impotentes para contê-los, assistiram à depredação dos bens públicos.

O historiador Horácio de Almeida enfatiza a influência religiosa como uma poderosa impulsionadora dos rebeldes. O motivo seria a grave crise surgida entre a Igreja e o Imperador no caso de Dom Vital, bispo de Olinda, em luta contra a maçonaria. Muitos padres pregavam abertamente a revolta contra o governo.

Chega à Paraíba o 14° Batalhão de Infantaria sob o comando do general Severiano da Fonseca e um vaso de guerra que veio estacionar no porto de Cabedelo, onde mais de uma noite dormiu o Presidente da Província, Dr. Silvino Elvídio Carneiro da Cunha. Para Areia seguiu uma ala deste Batalhão, comandada pelo capitão Longuinho, que se celebrizou pela crueldade com que tratou os vencidos utilizando o terrível “colete de couro”, uma espécie de suplício medieval que consistia em envolver o tórax da vítima num colete de couro cru molhado e deixá-lo secar lentamente. Esse processo causou a morte de muitas pessoas revoltosas em Areia. A rebelião durou dois anos causando sérios transtornos à Província.

 

ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA – Uma cidade de tradições emancipacionistas como Areia não podia ficar à margem da grande cruzada benemérita que se empreendia no país em prol da libertação dos escravos. Com efeito, a campanha abolicionista marcou profundamente sua história, tendo sido o único município paraibano a antecipar-se à Lei Áurea de 13 de maio de 1888. Realmente no dia 22 de abril do mesmo ano, foram alforriados os três últimos escravos que ainda existiam em Areia. Entretanto o dia 3 de maio é que foi escolhido oficialmente para, em pública solenidade, a Câmara Municipal, declarar remido o Município em meio a grande regozijo popular. Foi a festa sem precedentes na história de Areia. Durante quatro dias a cidade vibrou contagiada de ardor cívico. A nota mais alta das manifestações populares era ver libertos e ex-senhores confraternizados em igual expansão de júbilo, até as lágrimas de emoção.

Já muito antes da instituição da Lei do Ventre Livre, em Areia, um rico proprietário, José Alves de Lima, dignificava-se como precursor do abolicionismo, libertando todos os seus escravos, legando-lhes ainda metade de sua fortuna.

Anos mais tarde, o farmacêutico Manoel da Silva, homem de extraordinário valor, tornou-se o líder abolicionista em sua terra. Dedicado integralmente a essa nobre causa, fundou uma sociedade “sui generis” nas províncias do norte – a “Emancipadora Areiense” – destinada a promover a defesa da emancipação do escravo. Em 1884 foi aberto um “Livro de Honra da Emancipadora Areiense”, uma preciosidade que ainda hoje se conserva na biblioteca Irineu Pinto, do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano. Confeccionado à mão em legítimo papel inglês, capa de veludo bordado a ouro, nele estão inscritos os nomes dos seus associados e registros importantes da original agremiação.

Por essa época circulava em Areia um periódico, “O Areiense”, que colaborando com o movimento publicava gratuitamente assuntos pertinentes à Emancipadora. Com o intuito de ativar a propaganda abolicionista, Manoel da Silva, fundou sob sua responsabilidade, outro jornal – “Verdade” – que depois viria a ser um arauto das ideias republicanas.

Nessa jornada gloriosa, o paladino da liberdade contou com uma plêiade de excelentes colaboradores – Rodolfo Pires de Melo, poeta da abolição; Firmino Alves da Costa, um pioneiro do movimento; Francisco Xavier Junior, orador doutrinário; Simão Patrício da Costa, proprietário do Sítio São José, asilo seguro para os negros fugitivos; João Coêlho Lisboa, arrebatado de amor à causa, intempestivo no ataque aos reacionários; Padre Sebastião Bastos, Manuel Gomes da Cunha Lima e muitos outros. A Câmara Municipal também aderiu ao movimento criando um imposto sobre escravos que objetivava apressar a emancipação dos mesmos.

No Livro de Honra da Emancipadora Areiense o poeta Rodolfo Pires escreveu ao ensejo das comemorações do dia 3 de maio:

 

“Eu te saúdo, pátria estremecida e rogo que nunca olvides esta súplica. Como não ficarão orgulhosos todos os teus filhos que, distantes de ti, suportaram saudades, ao ouvirem teu nome nobremente apregoado pelo feito glorioso do dia de hoje”. De fato isso aconteceu. Joaquim Silva, então residente na Capital da Província, enviou aos responsáveis pela Emancipadora Areiense uma expressiva carta em que confessava ter chorado com a auspiciosa notícia. Pedro Américo estando em Veneza, na ocasião, ao ser cientificado do ocorrido, expressou também seu júbilo de areiense numa bonita saudação aos conterrâneos.

 

REVOLUÇÃO DE 1930 – A Paraíba assumiu, desde o início, um papel de relevo nesse movimento que acarretou profundas modificações no cenário político nacional. Em Areia a política local novamente se agita, havendo violentos choques isolados entre partidários das duas facções existentes. Tem ainda a honra de haver contribuído para a vitória da causa através da participação valiosa de um seu filho de consagrado valor – José Américo de Almeida, o qual na ocasião assume o Governo da Paraíba.

 

O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E A EVOLUÇÃO SÓCIO-CULTURAL DO MUNICÍPIO – Areia teve como os demais municípios, suas fases áureas e as de depressão, baseadas essencialmente nos ciclos econômicos aos quais se subordinava seu desenvolvimento. Município fundamentalmente agrícola, sua principal fonte de divisas sempre foi, desde as origens, a lavoura. Suas terras férteis e bem irrigadas, a amenidade do clima, as chuvas constantes e bem distribuídas cooperavam com o homem no amanho da terra, permitindo colheitas compensadoras. Areia constituía-se numa espécie de celeiro do sertão abastecendo aquela zona com sua abundância de cereais, farinha de mandioca, rapadura, etc.

A cultura do algodão foi durante muitos anos a base da vida econômica de toda região, mas em meados do século XIX vai perdendo terreno para a cultura da cana-de-açúcar que passa daí por diante, a ocupar o primeiro lugar na ordem de produção agrícola, conquanto não se abandonasse o cultivo do algodão, que continuou pesando em sua balança comercial.

Nas várzeas de massapé proliferavam os canaviais e os engenhos se sucediam próximos uns aos outros havendo no final do século mais de cem estabelecimentos do gênero em Areia. De início, eram simples almanjarras, movidas a tração animal. Fabricavam somente açúcar no começo, mas como a rapadura passou a ser o artigo mais vendável e de mais rápida fabricação, todos os senhores deram preferência a este produto. O engenho Jussara, o mais antigo do município, foi também o primeiro a instalar, em 1888, o vapor como força motriz (locomóvel), seguido dos engenhos Saboeiro e Mundo Novo. Nascida da cana-de-açúcar surge uma burguesia rural que muito iria abrilhantar a vida social, política e cultural da cidade.

As pragas e outras circunstâncias contribuíram para a crise canavieira que cedeu a primazia a outro tipo de cultura – a do café – que trouxe nova prosperidade a Areia. Esta chegou a competir com Bananeiras, o maior centro cafeeiro do Estado. No início do século XX uma praga dizimou os cafezais do Brejo, acarretando a ruína econômica da região.

Surgiu então o Sisal, cultura inédita ali, que levantou os ânimos e a economia decaída.

Entretanto, a cana-de-açúcar tem sido em todos os tempos, a cultura intermitente, que nunca foi totalmente abandonada, persistindo até hoje como produto básico da economia local.

O comércio de Areia era próspero e refinado, importando artigos diretamente da Europa. A cidade orgulhava-se de possuir um sortimento dos mais variados e completos, havendo casas comerciais cujo estoque era orçado em vinte contos de réis, quantia avultada para época. Havia até um comerciante que alugava casaca, camisa de peito duro e chapéu de claque para os elegantes saraus dançantes da cidade; A feira de Areia gozou da reputação de ser a maior da Paraíba. Ali se permutavam os produtos da região agrícola da zona pastoril. Os negociantes areenses eram, via de regra, além de ricos, homens honrados, de mentalidade esclarecida, integrados em todas as iniciativas da comunidade, tendo prazer em educar seus filhos.

O poder econômico de seus habitantes crescia e a cidade prosperava, ocupando um lugar de destaque no cenário político-administrativo do Estado, tornando-se, igualmente,  importante centro de atividades intelectuais. Inauguraram-se escolas, criaram-se jornais, fundaram-se grêmios artísticos e culturais, etc. Seus filhos foram tomando paulatinamente amplo domínio na vida política da Paraíba provocando a veia satírica do Padre Meira que afirmava – “Hoje na Paraíba quem liga não é mais barro, mas Areia…”

Areia teve a honra de possuir a sua primeira escola primária em 1822, para alunos do sexo masculino e em 1836 outra para o sexo feminino. Em 1835 foi criada uma cadeira de Latim e Francês cujo primeiro titular foi Luis Monteiro da Franca. Em 1841 passa a ser regida pelo areiense Joaquim José Henrique da Silva, um nome que assinalou uma época na cidade, como escreveu Horácio de Almeida, pelos inestimáveis serviços a ela prestados. Não apenas como o grande mestre que foi, mas como político e administrador, sempre na vanguarda de todos os empreendimentos que pudessem trazer benefícios à terra que ele amava com tanta devoção. Autodidata, não confinava seus conhecimentos às matérias que ensinava – latim, francês, português, matemática. Conhecia também o grego, chegando a escrever um método para o ensino desta língua, manuscrito que desapareceu após sua morte. Latinista emérito, enfrentou em concurso famosos mestres como Tobias Barreto e Padre Félix obtendo a mesma classificação que eles. Publicou em 1855 uma gramática intitulada “Manual do Estudante de Latim” que vinha suprir as deficiências dos compêndios congêneres da época. Sua vida foi um exemplo de honestidade, tenacidade e dedicação à cultura.

Com o decorrer dos anos, surgiram outros estabelecimentos de ensino, tanto no nível primário como no secundário e mesmo no superior – os grupos escolares Álvaro Machado e Carlota Barreira; as Escolas Paroquiais Padre Ibiapina; a Escola  Normal e Ginásio Santa Rita, para moças; o Ginásio Coelho Lisboa (Escola Estadual “Ministro José Américo de Almeida) para rapazes. Em 1936, por iniciativa de José Américo de Almeida, então Ministro de Viação, foi criada a Escola de Agronomia do Nordeste (Centro de Ciências Agrárias – UFPB – CAMPUS II).

Cidade intelectual, Areia não podia deixar de ter os seus jornais. Durante um período de 70 anos circularam ali os seguintes periódicos:  “O AREIENSE”, em 1877, “O SÉCULO”, em 1883, “A EDUCAÇÃO”, em 1886, “O AREIENSE”, que ressurge em 1887, “VERDADE”, em 1883, “A ESCOLA”, em 1890, “DEMOCRATA”, em 1892, “O MOSQUITO”, em 1894, “LIBERTADOR”, em 1895, “CIDADE DE AREIA”, em 1899, “A EVOLUÇÃO”, em 1909, “CORREIO DA SERRA”, em 1907,  “O CENTRO”, em 1909, “A RONDA”, em 1917, “O LUZEIRO”, em 1927, “O SÉCULO”, em 1946. “Houve um período em que circularam simultaneamente em Areia, “VERDADE”, “DEMOCRATA”, LIBERTADOR”, E O “MOSQUITO”, este último um jornalzinho humorístico.

Noutros setores de atividade intelectual expandia-se a área dos conhecimentos; Areia possuía um Gabinete de Leituras com excelente biblioteca constituída de obras selecionadas e raras. Instalada em 1871 por iniciativa de Joaquim da Silva e outros areienses ilustres, era a mais antiga da Paraíba, funcionando no sobrado da Praça do Consumo onde havia também um Clube de dança pelos mesmos fundado. Uma sociedade administrava a biblioteca que se manteve até o fim do século XIX perdendo o acervo após o afastamento de seus fundadores.

Outras entidades concorriam ainda para aquele movimento intelectual e social que se verificava então em Areia: uma sociedade teatral – Recreio Dramático – formada por sessenta sócios construiu às suas expensas o Teatro Recreio Dramático, inaugurado em 1859, antecedendo em trinta anos o Teatro Santa Rosa da Capital. A mencionada sociedade, além da construção e administração do teatro, tinha a seu encargo as representações dos artistas amadores locais bem como das companhias teatrais que demandavam Areia, oriundas de outras partes. No início havia apenas um conjunto de artistas amadores que depois se cindiu em dois conjuntos rivais – a facção dissidente, liderada por Joça Xavier, improvisou outra casa de espetáculos batizada como Teatro 8 de Dezembro, também conhecido como Teatro Popular, e a velha guarda do Recreio Dramático. Os dois teatros funcionavam simultaneamente. Surgiu ainda em cena um teatro para crianças por iniciativa do jovem Otacílio de Albuquerque.

Outro motivo de emulação à cultura e incentivo à vida social, foram as sociedades musicais, nas quais não era menor a rivalidade. Muito cedo Areia teve uma Escola de Música e Canto, obra de Manoel de Cristo Grangeiro e Melo, renomado compositor sacro. Ele organizou uma orquestra que conquistou a reputação de ser a melhor da Paraíba requestada pelas freguesias do Estado, Pernambuco e Rio Grande do Norte para as grandes solenidades religiosas. Em 1847 formou uma banda de música, a primeira que teve Areia, composta e mantida pelo Corpo da Guarda Nacional. Seu filho Tristão Grangeiro de Almeida e Melo formou uma sociedade, a Fênix Musical, regida posteriormente pelo maestro Argemiro Calaça Buril. Surgiu ainda outra banda, a do Recreio Musical, a cargo de Manuel Nunes de Oliveira, forte concorrente de Fênix.

De Areia saíram mestres de música para outras partes do país. Abdon Milanez Filho chegou a ocupar o cargo de diretor do Instituto Nacional de Música no Rio de Janeiro.

Atualmente não há a mesma movimentação intelectual do passado; já não existem jornais ou associações como as mencionadas. As manifestações de vida literária e artística não têm a intensidade e o entusiasmo de outrora. Entretanto, Areia não empobreceu de homens inteligentes e capazes, que honram seu nome e dão continuidade às tradições de que a cidade tanto se orgulha.

 

OS FETIVAIS DE VERÃO EM AREIA – Uma nova perspectiva de revalorização desse clima cultural se abre agora em Areia, com a realização de festivais, quando se efetua ali, um enfoque da problemática artístico-cultural brasileira em cursos e seminários que reúnem intelectuais, professores, universitários, artistas, homens de imprensa – convidados ou participantes da mais variada procedência nacional. As artes plásticas, o teatro, o cinema, a dança, a música, a literatura, estão presentes através de aulas, exposições, desfiles, concertos, exibições e trabalhos de pesquisa.

O Festival que se realiza há décadas, desde 1976, com absoluto sucesso, é uma promoção do Governo do Estado, através da Secretaria da Educação e Cultura. Esse encontro cultural de estudos e comunicações, de amostras e debates, de comprovações e estímulos, servirá certamente de fulcro a uma nova ação criadora além de enfatizar as mais vivas expressões da terra paraibana – seu rico folclore, sua culinária típica, os trabalhos de seus artesãos, suas belezas naturais, etc.

O Festival que se realiza há décadas, desde 1976, com absoluto sucesso, é uma promoção do Governo do Estado, através da Secretaria da Educação e Cultura. Esse encontro cultural de estudos e comunicações, de amostras e debates, de comprovações e estímulos, servirá certamente de fulcro a uma nova ação criadora além de enfatizar as mais vivas expressões da terra paraibana – seu rico folclore, sua culinária típica, os trabalhos de seus artesãos, suas belezas naturais, etc.

 

VULTOS ILUSTRES – Areia foi sem contestação, o município paraibano que contribuiu com a mais expressiva gama de valores humanos que enobrecem o passado e o presente do Estado. PEDRO AMÉRICO DE FIGUEIREDO E MELO, pintor de renome internacional, saiu de Areia muito jovem para estudar, primeiro na Corte, depois na Europa. Deixou além de telas admiráveis – “O Grito do Ipiranga”, “Batalha do Avaí”, “Batalha do Campo Grande” e outras do mesmo quilate, alguns estudos de caráter filosófico, científico, obras literárias e discursos parlamentares, tendo participado, pela Paraíba, na Constituinte Nacional de 1891; FRANCISCO AURÉLIO DE FIGUEIREDO, irmão do Pedro Américo, também excelente pintor, autor entre outras obras de “Último Baile da Ilha Fiscal” e de um romance “O Missionário”; D. ADAUTO AURÉLIO DE MIRANDA HENRIQUES, prestou incontáveis serviços à Religião e à sua terra, como primeiro bispo e primeiro arcebispo da Paraíba; o general DR. ÁLVARO LOPES MACHADO, chefe político, senador da República, por duas vezes, outras tantas governando o seu Estado natal, tendo sido o primeiro presidente constitucional da Paraíba; MOSENHOR WALFREDO LEAL E DR. JOÃO LOPES MACHADO, também chefes políticos e governadores de Estado; DR. JOÃO COELHO GONÇALVES LISBOA, DR. OTACÍLIO DE ALBUQUERQUE, DR. JOSÉ ANTONIO MARIA DA CUNHA LIMA. SIMEÃO LEAL, ABDON MILANEZ, o velho, DR. ABDON MILANEZ, o moço, todos eminentes parlamentares; educadores eméritos como JOAQUIM JOSÉ HENRIQUE DA SILVA ou FRANCISCO XAVIER JÚNIOR, ambos autores de obras didáticas de comprovado valor; MANOEL DA SILVA, o líder abolicionista; RODOLFO PIRES, o poeta; DR. JOSÉ EVARISTO DA CRUZ GOUVEIA, elemento de grande destaque e influência em Areia, como médico e como político; o historiador HORÁCIO DE ALMEIDA, autor de “História da Paraíba”, “Brejo de Areia” e outras obras de mérito; o desembargador AURÉLIO DE ALBUQUERQUE, jornalista, escritor, membro da Academia Paraibana de Letras. Estes são apenas alguns nomes da longa lista de areienses ilustres. Finalmente merece destaque especial o nome do DR. JOSÉ AMÉRICO DE ALMEIDA, um filho de Areia que honra, não somente sua cidade natal, mas a Paraíba e o próprio Brasil. Notabilizou-se como político, administrador e homem de letras, tendo sido Senador, duas vezes governador da Paraíba, Ministro da Viação, também por duas vezes, e Ministro do Tribunal de Contas da União. Renomado escritor, membro da Academia Brasileira de Letras, marcou época na literatura nacional, ao lançar, oitenta anos atrás, seu romance “A BAGACEIRA”. Outras obras – “O BOQUEIRÃO”, “COITEIROS”, “A PARAIBA E SEUS PROBLEMAS”, “ANTES QUE ME ESQUEÇA”, “O ANO DO NEGO”.

 

MONUMENTOS HISTÓRICO-ARTÍSITCO-CULTURAIS DA CIDADE DE AREIA – A cidade que recebeu do carinho de seus filhos e da admiração de homens inteligentes, os significativos nomes da “Cidade Relíquia”, “Cidade Eterna” ou “Atenas Paraibana”, guarda, na austeridade de suas ruas, especialmente em seus monumentos, a memória de seu antigo apogeu.

 

O SOBRADO DE JOSÉ RUFINO – No início do século XIX, homens de fortuna e iniciativa como o português Francisco Jorge Torres, o capitão Bartolomeu da Costa Pereira e José Antonio Leal, edificaram os primeiros sobrados da vila. Seguiram-se muitas outras construções congêneres de propriedade da burguesia local. Um desses velhos sobrados, construído em 1818 foi na década de setenta restaurado por um areiense, José Rufino de Almeida, que dá um belo exemplo de amor às tradições de sua terra. O prédio, apesar de ser propriedade privada, é franqueado à visitação pública – uma espécie de museu. Trata-se de uma construção sólida onde foram conservadas ao máximo, as linhas originais características à arquitetura colonial. Possui três pavimentos, incluindo o sótão de águas-furtadas, onde se encontram mirantes em forma de seteiras, cuja finalidade era permitir a penetração da luz e do ar além de servir eventualmente para defesa.

A fachada principal apresenta duas ordens de janelas reticuladas, com vidraças e uma porta que dá acesso ao interior. As do pavimento superior possuem sacadas guarnecidas com grades de ferro trabalhado. Lampiões de ferro no estilo da época, colocados na frente e nas fachadas laterais do prédio, constituem a iluminação externa. Uma cornija que se prolonga à volta do prédio arremata o conjunto de formas sóbrias e harmônicas.

Internamente, divide-se em 35 aposentos, mobiliados e decorados com preciosas peças antigas. O piso do pavimento inferior é todo em tijoleiras exceto a cozinha que conserva as lajes originais do antigo sobrado e que servia como sala de refeições dos pretos, podendo-se observar as mesas de pedra engastadas na parede, o fogão de alvenaria, os panelões de ferro de fabricação inglesa e um primitivo moinho para triturar cereais.

Na parte posterior, a senzala, com seus cubículos individuais, em torno de um pátio lajeado e dois portões que dão para um terraço, num plano mais baixo, protegido por balaustrada, todo em pedra, de onde se descortina a paisagem maravilhosa da Gruta do Bonito.

O acesso ao pavimento superior é feito através de duas escadas – de madeira com corrimão torneado, logo no vestíbulo principal, e na parte de trás, por uma longa escadaria de pedra, trabalho dos escravos. O piso agora é todo assoalhado e o teto travejado com possantes vigas em madeira de lei. Na sala de jantar há uma lareira. As luminárias, os banheiros, os lavabos, tudo acompanha o estilo da arquitetura colonial, evocando uma época de fausto vivida pelos seus ancestrais.

 

CASA DE PEDRO AMÉRICO – O prédio onde nasceu o grande artista plástico, Pedro Américo de Figueiredo, é uma construção simples, conjugada, com uma porta e duas janelas na frente. Havia outrora sala de visitas, sala de jantar, dois quartos, cozinha, banheiro e um pequeno quintal. Nas proximidades do centenário de nascimento do pintor, a Prefeitura efetuou a desapropriação do imóvel que sofreu modificações a fim de funcionar como pinacoteca e museu do Município. As janela e portas receberam vidraças e a divisão interna foi alterada.

Atualmente consta de duas salas na primeira das quais foi instalado o Museu com mais de vinte reproduções de telas famosas do artista, alguns esboços autênticos e o original “Cristo Morto”, de inestimável valor, um dos seus últimos trabalhos, pintado em 1901. Há também um retrato de Pedro Américo, pintado por seu irmão Aurélio de Figueiredo. Expostos numa vitrine, objetos de uso pessoal: alguns pincéis, um velho esquadro. Também uma palmatória que pertenceu à sua mãe, um álbum de caricaturas, fotos da família e os livros escritos por ele na Europa – “Holocausto”, em 1882, “O Foragido”, em 1899, “Na Cidade Eterna”, em 1901, além de um crucifixo e um vidro contendo uma página de jornal, retirados de seu caixão mortuário. Na outra sala funciona a galeria de areienses ilustres.

 

MUSEU REGIONAL DE AREIA – Este museu é uma realização do incansável Mons. Ruy Barreira Vieira, ex-vigário de Areia, um entusiasta admirador das tradições da terra, Cidadão Areiense pelo coração e por eleição da cidade agradecida. Além das inúmeras obras de cunho religioso e social por ele fundadas, organizou com esforço e paciência, num prédio contíguo à casa paroquial, o Museu Regional.

No pavimento inferior há um amplo e moderno auditório e no superior a Biblioteca Ministro José Américo de Almeida com suas estantes repletas, que ostentam os nomes de personalidades ilustres na história de Areia. Em seguida vem o Museu com seu acervo de grande valor histórico, artístico, cultural e científico, pois apresentam, com impressionante versatilidade, vários setores onde se encontram presentes a Antropologia Cultural e Física, as Artes Gráficas, a Armaria, as Artes Plástica, a Artes, a Iconografia, a Mineralogia, a Paleontologia, além de maquinaria, vidros, cristais, opalinas, mobiliário e objetos de uso diverso.

Entre outras preciosidades ali e pode admirar objetos que pertenceram a D. ADAUTO, o primeiro Arcebispo da Paraíba – um solidéu do Papa Pio X, um camafeu de Leão XIII, uma cruz peitoral filigranada que pertenceu a D. VITAL, outra contendo num relicário um pedacinho do Santo Lenho. Lá se encontrava o Trono Episcopal (João Pessoa) ricamente trabalhado e perfeitamente conservado, o berço do líder abolicionista Manoel da Silva, seu diploma de farmacêutico, a maleta de Pedro Américo que ainda conserva as estiquetas européias, testemunha de suas viagens, fotografias de imenso valor histórico inclusive da imemorável gameleira em todo se apogeu, das ruas da cidade com sua arquitetura original, personalidades ilustres, bandas de música já extintas, etc.

O Museu Regional é um empreendimento digno de ser admirado, cujo patrimônio deve ser preservado a todo custo e se possível ampliado, como fonte de pesquisa e exemplo de civismo.

 

IGREJA DO ROSÁRIO DOS PRETOS – A igreja consagrada a Nossa Senhora do Rosário foi iniciativa de uma Irmandade originalmente composta por gente de cor. É a mais antiga do lugar embora não se tenha a data precisa de sua fundação. Sabe-se que ficou inconclusa durante muitos anos. Segundo Horácio de Almeida, o governo provincial, em 1865 outorgou-lhe uma verba de quatro contos de réis para o andamento da obra. Documentos falam de uma empreitada, em 1872, com o mesmo objetivo. Porém tudo indica que sua conclusão se deu em 1886 quando ali se celebrou a primeira festa religiosa.

A Igreja do Rosário acha-se situada no centro da cidade, em frente à Praça Ministro José Américo de Almeida. Trata-se de uma construção em que se verifica a persistência do estilo arquitetônico que vigorou durante três séculos a partir de nossa colonização. Não fossem os arcos de pleno centro que aparecem em todas as fachadas do templo, cuja utilização se vulgariza no século XIX e a abertura também das arcadas, que proporciona uma comunicação franca da capela-mor com a sacristia ao lado, e o tipo estaria se repetindo.

Uma escadaria dá acesso à Igreja em cuja fachada principal encontram-se três portas de forma arqueada. A porta do centro é um pouco mais alta que as laterais. Janelas também em número de três com grades de ferro forjado, à guiza de peitoril, dando para o coro, guarnecem-lhe a fachada encimada por um frontão com volutas e uma pequena cruz. Não possui torres. A parte interna consta de uma nave única, coro simples, logo à entrada, com uma escadaria lateral que começa dentro da nave. Do mesmo lado um púlpito em madeira com ornato em relevo e uma cercadura do mesmo material ornada com delicados lavores. Num plano mais elevado da nave, à entrada da capela-mor, altares colaterais em madeira pintada de branco, decorados com entalhes em dourado, abrigam imagens, uma das quais, de Nossa Senhora da Piedade com o Filho Morto nos braços, esculpida em madeira, é muito bonita.

Na capela-mor, num plano mais abaixo, o altar-mor, é parcialmente executado em madeira parecendo ter sido completamente em alvenaria. Na realidade apesar de se encontrar nos trechos de alvenaria o mesmo vocabulário formal dos altares colaterais, nota-se uma acentuada diferença no acabamento o que faz com que este altar seja de menos apuro estético tomado como um todo. Nele se encontra um retáculo com a imagem da padroeira, em estilo barroco, ladeada por outras de Jesus Menino e São Benedito.

O forro da capela-mor é de alvenaria e reboco pintado, com a figura em relevo do Espírito Santo que traz em lugar dos pés, ganchos, dos quais pendia outrora a lâmpada do sacrário. A nave apresenta um forro de tábuas corridas.

O piso, originalmente em tijoleiras, foi substituído em época passada, por mosaicos. Somente o coro e uma espécie de sótão por trás do altar-mor são assoalhados. Na sacristia há somente uma pequena cômoda. Seu uso atual é apenas a prática de ofícios religiosos.

 

MATRIZ DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO

Esta igreja tem um valor histórico tendo acompanhado o crescimento da cidade, desde que era um pequeno núcleo, de povoamento e a igreja uma simples palhoça onde o vigário de Mamanguape celebrava uma vez ao mês. Em 1809 aparece como uma capela coberta de telha. A freguesia foi criada em 1813, mas só em 1834 é que o Padre Francisco de Holanda Chacon, que regeu a paróquia por 52 anos, ergue a Matriz no mesmo local da primitiva capela – prédio grande, sem torre, com corredores, tribunas, coro, consistório e altares em talha dourada. O Cônego Odilon Benvindo reformou a Matriz derrubando os corredores e as tribunas, substituindo-os por arcadas, construiu mais altares de alvenaria e ergueu a torre no centro do edifício. Benzeu-a no dia 20 de abril de 1902, data que se encontra gravada na fachada principal. O Cônego Francisco Coelho pôs abaixo o altar-mor de madeira entalhada construindo em seu lugar um de alvenaria, tirando na ocasião a imagem da padroeira de madeira policromada, em puro estilo barroco, colocando-a na sacristia. (Essa imagem fora ofertada à Matriz por um vigário, de Areia, Padre Sebastião Bastos). O vigário Cônego Ruy Barreira Vieira também realizou melhoramentos no templo que tendo passado por tantas reformas são segue nenhum estilo definido apresentando características ecléticas. Possui uma única torre. A parte central da fachada se projeta para frente enquanto as laterais ficam recuadas. Uma escadaria protegida por balaustradas dá acesso às portas de entrada.

O interior compõe-se da nave principal e naves laterais separadas por arcadas. Ao Longo destas últimas encontram-se altares, alguns dos quais abrigam imagens antigas, em madeira, de Nossa Senhora das Dores, Menino Jesus, do Senhor Morto, Jesus Crucificado e do Senhor Ressuscitado. Uma de Nossa Senhora da Soledade e outra do Senhor dos Passos ostentam cabelos e vestes naturais.

No teto da nave principal há um painel colorido que apresenta grande interesse artístico. Todos os altares são de alvenaria.

Na Sacristia há um arcaz acima do qual, num nincho, pode-se ver a imagem de Nossa Senhora da Conceição anteriormente citada. Há ainda outro móvel em madeira escura com um oratório conjugado.

Na parte anterior do templo fica o coro e sob o mesmo um vestíbulo separado por arcadas da nave principal.

 

TEATRO MINERVA – Inaugurado em 1859, com o nome de Teatro Recreio Dramático constituía o orgulho dos habitantes de Areia, em especial dos membros da Sociedade Recreio Dramático que o construiu às suas expensas, iniciativa pioneira que precedeu em trinta anos o teatro da Capital. Funcionava regularmente com representações dos conjuntos amadores locais. Consta que mesmo companhias famosas que se exibiam em Recife, iam até Areia, recebendo sempre muitos aplausos de um povo que tinha amor pela arte e pela inteligência.

Localizado na Rua Epitácio Pessoa, S/N, o prédio de linhas simples, tendendo mais para o tipo clássico, apresenta na fachada principal três portas e mais acima duas janelas. Em relevo o nome Theatro Particular e a data de inauguração, 1859. Um frontão de formato triangular ostenta no tímpano, um ornato em relevo e mais acima uma decoração em caprichosas volutas no centro da qual há uma estatueta da deusa Minerva. Esta foi ali colocada por Horácio Silva, no início do século XX, quando na gestão do prefeito Otacílio de Albuquerque foram feitos alguns melhoramentos no prédio. A partir daí passou a ser conhecido por Teatro Minerva.

À entrada há um pequeno hall por onde se penetra na sala de espetáculo, de piso inclinado, em tijoleiras, com uma passadeira no centro. Do teto de madeira pende um lustre de ferro com seis braços.

À volta, duas ordens de frisas, superpostas, de formato circular, em madeira, divididas por colunas simples do mesmo material. Há luminárias em forma de candeeiros ao longo das paredes laterais.

Na parte posterior, por trás do palco, estão localizados os camarins ligados ao mesmo e aos corredores por duas entradas laterais.

O mobiliário um tanto rústico, foi todo renovado seguindo tanto quanto possível o modelo original.

Durante algum tempo o prédio funcionou como cinema, porém agora retornou à sua primitiva função.

 

MONUMENTO A PEDRO AMÉRICO – No cemitério de Areia, em lugar de destaque, está o mausoléu onde repousam para sempre, os despojos do seu ilustre filho, repatriados  da Itália durante a comemorações de seu centenário.

Monumento talhado em estilo moderno, singelo, com uma placa em alvenaria onde estão inscritos de um lado, as datas do seu nascimento – 29/04/1843 e a do seu centenário – 29/04/1943 e os dizeres – “Pedro Américo Potente Engenheiro da Pintura” e “Passagem do Primeiro Centenário do Seu Nascimento”. Na outra extremidade sua efígie em relevo. Salientando-se do toda uma espécie de obelisco e uma palheta com pincéis.

 

CURIOSIDADES – Toda cidade possui fatos, personagens, objetos, recantos, que lhe são peculiares. Em Areia podem ser citados: a gameleira, a fonte do Quebra, o invento de Salviano, as execuções na forca.

 

A GAMELEIRA – A majestosa árvore centenária erguia-se no centro da cidade, como um marco histórico, pois teria sido segunda a lenda, uma estaca do primitivo curral que brotava no Sertão de Bruxaxá, e desafiando o tempo, acompanhara o desenvolvimento da cidade que vira nascer. Assinalava a presença de Areia a quilômetros de distância constituindo um motivo de orgulho dos areienses que tinham pela árvore uma veneração quase religiosa. Era a testemunha de todos os ventos, um baluarte no último combate travado pelos revoltosos praieiros em 1849, servindo-lhes o imenso tronco como escudo contra as balas dos legalistas. Sob sua copa frondosa repousavam os tropeiros, discutia-se política, encontravam-se os namorados, cantavam os trovadores, inspiravam-se os poetas.

Quando o telégrafo chegou a Areia em 1894, a gameleira serviu de poste, sendo instalado em seu espaçoso tronco um isolador da linha telegráfica.

Foi abatida por ordem do prefeito Jaime de Almeida, em 1931. Os areienses lamentaram-lhe a perda como se fora uma pessoa muito querida.

 

O QUEBRA – Em Areia havia outrora quatro fontes onde a população se abastecia de água potável. Eram as do Pirunga, do Limoeiro, do Bonito e do Quebra. O nome desta advém das constantes quedas dos carregadores d’água em sua ladeira escorregadia e a conseqüente quebra dos potes que conduziam.

Em 1885 o maestro Tristão Grangeiro, então Presidente da Câmara Municipal, propôs a construção de um banheiro público na fonte do Quebra. A construção foi iniciada por ele, sem qualquer ônus para a Prefeitura, auxiliado por particulares e inaugurado no dia 1° de janeiro de 1886. Foi um dia de grande festa, com banda de música discursos e girândolas de duzentas dúzias de foguetes. Tristão Grangeiro, entusiasmado, passou todo o dia a reger a orquestra e a banhar-se no Quebra apanhando uma pneumonia que o levou ao túmulo quinze dias depois. Mas seu sacrifício não foi em vão. O banheiro do Quebra tornou-se uma tradição em Areia – todos, ricos ou pobres, iam até lá, a pé, conduzindo suas toalhas, conversando amigavelmente, fazendo um bom exercício, tomando um delicioso banho.

O famoso banheiro passou alguns anos interditados por falta de condições de funcionamento. Foi restaurado na gestão do Prefeito Élson Cunha Lima que construiu ainda, no local, uma quadra de esportes. É um recanto agradável e pitoresco e mais uma tradição a ser conservada.

 

O HIDRO-MOTOR SALVIANO – Um areiense, Antonio Salviano de Figueiredo criou um aparelho que revolucionou o mundo da mecânica no país. Após 10 anos de trabalho perseverante, sem os recursos da moderna tecnologia, apresentou seu Hidro-Motor, cujo objetivo era o aproveitamento das ondas do mar. Era de fato uma conquista admirável do gênio, da capacidade de investigação e estudo, de um homem que arrastou todas as dificuldades, inclusive a indiferença do meio em que viveu.

O princípio de seu invento era a transformação do movimento oscilatório das ondas em movimento rotatório, sempre no mesmo sentido.

O Hidro – Motor Salviano foi levado para o Rio de Janeiro onde as experiências realizadas alcançaram sucesso chegando mesmo a interessar ao Governo Federal sua utilização. Entretanto esse entusiasmo teve pouca duração e logo, por falta de apoio dos poderes públicos, o notável invento foi relegado ao esquecimento.

 

EXECUÇÕES NA FORCA – Areia foi o único município da Paraíba onde a forca se ergueu e funcionou, não para executar presos políticos, mas para presos comuns, condenados à morte pela justiça local.

O patíbulo foi erguido nas imediações do matadouro público, inaugurando-se em 1847, Compunha-se de dois pesados esteios de madeiras fincados ao solo e ligados no alto por espaçoso travejamento. Havia ainda a escada por onde subiam o condenado, o carrasco e o sacerdote.

As execuções eram envoltas em um complicado cerimonial – o condenado era conduzido à igreja onde ouvia a missa até a recitação do credo quando então se formava o cortejo fúnebre composto por autoridades civis, militares, eclesiásticas, a tropa, o povo e até as escolas públicas com todos os seus alunos e professores (os quais na volta aplicavam em cada aluno meia dúzia de bolos para lhe servir de lição). A procissão partia lentamente até o campo da execução parando de espaço a espaço para que o meirinho lesse a sentença e apregoasse em altas vozes; – Que morra de morte natural no lugar da forca! O carrasco era escolhido entre os presos, já condenado, que era tirado da cadeia e obrigado a cumprir o macabro ofício. Duas execuções foram realizadas no patíbulo de Areia – em 1847, a do negro Marçal, escravo de Manoel Gomes da Cunha Lima, senhor do engenho Jussara e de Novo Mundo, por haver atacado e ferido seu senhor quando este açoitava sua esposa e a de Antonio José das Virgens, vulgo Beiju, a 8 de maio de 1861, acusado de assassínio do Dr. Trajano Augusto de Holanda Chacon.

 

MANIFESTAÇÕES RELIGIOSAS E FOLCLÓRICAS – Quanto aos festejos, predominavam os de natureza religiosa sendo o mais importante o da padroeira, Nossa Senhora da Conceição, que se iniciava com o novenário nos fins de novembro e se encerrava a 8 de dezembro, dia a ela consagrado, em meio a grande pompa e brilhantismo. Festejava-se ainda o Mês Mariano, a festa de Nossa Senhora do Rosário. Estas são tradições que ainda persistem.

As festas profanas e de caráter popular eram também muito animadas como o Carnaval com o clássico Zé Pereira, e entrudo, os papangus e os clubes – Cavaleiros do Luar, Caverna do Recreio, Casaca Vermelhas, Clube dos Rodantes, Clube dos Lubisomens, Os Capetas. Encerrava-se a folia com bailes de máscaras nos clubes.

Havia ainda outros folguedos – a famosa Cavalhada ou Corrida de Argolinha, uma herança ibérica, era sempre um espetáculo que pela sua movimentação despertava excepcional interesse no espírito popular. Realizava-se no centro da cidade e lembrava a luta entre mouros e cristãos. O pastoril de José Ataíde, a Nau Catarineta com a maruja vestida a caráter, os Caboclinhos, o Bumba-Meu-Boi e outras interessantes manifestações do nosso folclore contribuíam com o pitoresco de suas músicas e danças para alegrar a vida dos areienses.

Após a emancipação dos escravos, em fins do século XIX, entrou em cena o Maracatu, folgança de negros e também o Côco de roda e o Rei dos Congos, folguedo ruidoso, originário do antigo cerimonial de coroação dos reis negros, que era muito interessante pela exuberância e singularidade do canto, rico em modulações vocais e de sincretismo religioso.

As noites juninas eram sempre animadíssimas com as tradicionais fogueiras, intenso foguetório, os deliciosos quitutes próprios da época, as sortes e adivinhações entre a moçada, danças nos salões de baile, arrasta-pé puxado a sanfona nos terreiros. A banda de música percorria a cidade parando numa e noutra casa para saborear canjica de milho verde e também “molhar a garganta”.

Hoje tais festejos não apresentam mais o mesmo colorido e animação, porém alguns ainda subsistem dando continuidade às tradições do passado.

 

 

ASPECTO GEOGRÁFICO

 

SITUAÇÃO – O Município de Areia está localizado na mesorregião do Agreste Paraibano e na microrregião do Brejo Paraibano.

 

MUNICÍPIOS LIMÍTROFES – Arara, Alagoa Grande, Alagoa Nova, Alagoinha, Serraria, Pilões e Remígio. Dista da capital 120 km.

 

DISTRITOS – Areia (Sede), Cepilho, Mata Limpa e Muquém.

 

COORDENADAS GEOGRÁFICAS – 68° 58’ 12’’ Latitude e 35° 42’ 19’’ Longitude.

 

POPULAÇÃO – 22.940 hab. est. 2016 (IBGE).

 

ALTITUDE – 618 metros acima do nível do mar.

 

ÁREA – 269, 424 km²

 

CLIMA – Ameno, com temperaturas que chegam a 8°C no inverno e, em dias quentes, a 30°C.

 

ACIDENTES GEOGRÁFICOS – Sua bacia hidrográfica tem como principal curso d’água o rio Bananeiras, possuindo uma adutora que abaste a cidade. Seguem-se os riachos Mandaú, Pitombeira, Pedregulho, Mazagão e Fechado e os açudes Vaca Brava, Queimada, Jussara e Mundo Novo. Como acidentes geográficos destacam-se as inúmeras serras pertencentes ao sistema da Borborema.

 

RIQUEZAS NATURAIS – No reino vegetal destacam-se a madeira de lei, no reino mineral fontes de água e argila. No reino animal algumas espécies de teju e aves em geral.

 

ASPECTO SÓCIO – ECONOMICO – As atividades econômicas do município de Areia estão concentradas na lavoura, onde pontificam as plantações de cana-de-açúcar, feijão, mandioca, milho e banana. Seus excedentes são exportados para Campina Grande, sendo a produção de cana industrializada pelos engenhos no fabrico da cachaça e rapadura. No município encontram 28 unidades em pleno funcionamento. O desenvolvimento da pecuária é apenas regular.

 

INDÚSTRIA – São 28 engenhos de cachaça e rapadura e aproximadamente 30 aviamentos de farinha. O comércio local faz suas compras em Campina Grande e João Pessoa. Tem coletoria Estadual, Agências do Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, dos Correios, Mult Bank, Casas Lotéicas, etc.

 

TRANSPOTE E COMUNICAÇÕES – Areia liga-se diariamente por mais de 10 horários com Campina Grande e com João Pessoa por 4 horários. Outros ônibus transitam pela cidade, interligando Campina Grande, Arara, Remígio, Guarabira, Alagoa Grande, Serraria e Natal-RN. Possui uma praça de táxi, moto-táxi, uma pista para operação de táxis aéreos, com extensão de 500 metros. Tem 3 estações de rádio. O serviço telefônico é explorado pela Telemar, Tim, Oi e Claro. Há duas estradas estaduais, PB – 87 E PB – 79 que servem ao município que possui ainda 10 estradas próprias eom um total aproximado de 100 km.

 

EDUCAÇÃO – Sua principal unidade escolar, é o CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL – CAMPUS II, com os cursos de Agronomia, Zootecnia, Química, Medicina Veterinária, Biologia (Graduação), Mestrado e Doutorado. Foi fundada em 1934, sendo inaugurada em 15 de abril de 1936. Em 1975 formou a sua 36ª Turma. Segue-se a importância o Colégio Estadual Ministro José Américo de Almeida, fundado em 1954, como Ginásio “Coelho Lisboa”, passando a estadual em 1965. O ensino de foi iniciado em 1970 e em 1975 formou a sua 4ª turma, com 40 concluintes. Existe também o Colégio Santa Rita, que foi fundado em 1937 e recebe a orientação das irmãs da Ordem Franciscana. É um dos maiores colégios em área construída (2.964,80 m²), mantendo ainda cursos de educação para o lar. Possui pianos para o ensino de música, violão, violino, acordeom e sala com órgão.

 

RELIGIÃO – A católica é a principal, existindo ainda o protestantismo em suas várias ramificações e adeptos de cultos africanos. A padroeira é Nossa Senhora da Conceição, com a festa realizada a oito de dezembro. Além da Matriz, existem mais 10 capelas no interior do município.


Símbolos Municipais 

BANDEIRA DE AREIA

BANDEIRA DE AREIA

BRASÃO AREIA

BRASÃO AREIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Hino do Município

Letra – Arthur Rabello
Música: Cidalino Fernandes Pimenta

Ave Areia:
Diamante engastado na serra.
Lapidado da chuva e do sol,
És Areia! Dulcíssima terra
Mais formosa que o lindo arrebol.

Flor do bosque, que um brejo circunda.
És perene
O lençol d´agua
Que te inunda.
Minha terra, de agrícola flores,
És ninho também de condores!
Minha terra, meu berço de amores,
És ninho também de condores!

Doces sons de uma flauta inspirada
Sintetisas cidade-primor!
És sereia no brejo encantada
Cujo canto é um perigo de amor.